Portas secretas se abrem para os que admitem o desconhecimento.
Quando jovens, alguns de nós levamos muito a sério as grandes decisões da vida no sentido de, uma vez tomadas, deverão “valer” para toda a vida; nem nos passa pela cabeça que elas podem ser reconsideradas e até mesmo, eventualmente, descartadas e substituídas por outras opções. Não enxergamos que perturbações nas circunstâncias originais podem requerer mudanças e ajustes nas escolhas que fazemos.
Por exemplo: na época de vestibular muitos acreditam que a escolha de uma carreira será uma decisão definitiva e imutável e que a ela deverão fidelidade incondicional e eterna.
De onde será que vem essa crença absurda? Eu não sei, mas eu mesma custei a livrar-me dessa idéia de “irreversibilidade”.
Talvez seja porque os jovens tendem a achar que a juventude é eterna, que os eventos são imutáveis, e concluem com a mais inabalável certeza: todas as escolhas são para sempre...
Ou talvez essa convicção venha do sistema de ensino onde só há uma única resposta correta (na mais bem-sucedida aplicação do conceito econômico de escassez): somente um único ser, aquele que for o mais rápido e bem-adaptado ao sistema contemporâneo, receberá o único prêmio que existe. Somente quem encontrar a única resposta correta terá o louvado reconhecimento.
Contudo, não é a Einstein que é atribuída a frase: “eu penso, e por isso não me envergonho por mudar de opinião”?
Isso me remete a uma orientação maravilhosa ao modo de encarar a vida dada pela pedagogia Waldorf: nas aulas de matemática os professores são encorajados a reverterem a pergunta do “qual é a solução desse problema?” por “como é que obtemos essa solução?”. Um exemplo simples: ao invés de perguntarem aos alunos “quanto é 5+9?”, os professores perguntam “como é que vamos conseguir obter 14?” Os alunos com maior habilidade numérica logo vão construir expressões mais elaboradas e complexas, mas isso não impedirá os menos hábeis de lançarem um “10+4”, “28/2”, etc. Ou seja, TODOS os alunos participam porque a formulação da pergunta permite infinitas respostas corretas para o problema! Isso não é maravilhoso de se ensinar a uma criança ou adolescente? Saber que há infinitas alternativas e infinitas respostas corretas é realmente excitante. Incentiva a criatividade. Incentiva a ousadia. Incentiva a investigar. Incentiva a se aprofundar para obter respostas cada vez mais elaboradas e complexas. Vejam o que uma simples mudança de foco (neste caso, a formulação da pergunta) pode fazer!
No caso das decisões, a simples constatação (e aceitação) de que elas poderão, se necessário, ser alteradas, já nos abre infinitos caminhos.
O ideograma japonês para “decidir” contempla originalmente a imagem da água confinada em um dique que encontra um furo e escoa, livre e rapidamente, por esse orifício.
Nós temos todas as informações necessárias dentro de nós, cuidadosamente armazenadas, acumuladas ao longo de anos, que nos dão o fundamento para tomarmos nossas decisões. Se nos falta qualquer informação, temos todos os meios para reconhecer e criar o impulso necessário a fim de obter esse dado faltante.
E para decidir, tudo o que precisamos é de uma única afirmação, pois as decisões nada mais são que afirmações que fazemos a nós mesmos. Uma vez dita, ela tem o poder de liberar toda a energia represada dentro de nós para a ação, para que algo seja efetivamente feito.
Quais são as decisões dentro de você que ainda não foram tomadas porque ainda não encontraram uma afirmação? Tenho certeza de que há muitas afirmações silentes que ainda não puderam vir à tona porque-isso ou porque-aquilo... Decida-se a afirmar. Um mundo se abrirá diante de seus olhos!
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Agora, permitam-me uma pequena anedota sobre a idade.
Outro dia lembrava que aos 18 anos qualquer pessoa com 25 anos era uma pessoa com muita experiência: pensava que seria madura aos 25 anos. Aos 23, comecei a achar que talvez não fosse assim, que eu atingiria uma vida experiente aos 30. Aos 28, posterguei-a para os 35 anos. Aos 33, para os 40. E depois de 36, desisti por completo de ficar querendo ser “sábia” e “madura”. Essa recordação, por outro lado, fez-me refletir como muda a nossa percepção do que consideramos ser uma “pessoa velha” em relação à idade biológica. Observem os comentários de uma criança quanto à “velhice”, e descobrirão que qualquer um com mais de 18 anos já é uma pessoa “muito velha” (!). --- E pudera: para uma criança de seis anos, dezoito anos representa três vezes a sua idade!
Não vale a pena falar sobre a idade. Da sabedoria e maturidade, então, nem se diga! O espírito jovial que cultivarmos dentro de nós é o que nos ajudará a acompanhar saudavelmente o enrugar da pele e o encolhimento do corpo.
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